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Ajuda e Comércio UE/ACP: Novos Desafios

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Criado 08/14/2007 - 14:10

IEEI

Fórum Viver a Europa

4 e 5 de Novembro de 2004

Centro de Congressos de Lisboa

Ajuda e Comércio UE/ACP: Novos Desafios

Jochen Oppenheimer (CEsA/ISEG)

A leitura dos documentos do European Development Cooperation Project to 2010 da EADI1 [0] (www.eadi.org/edc2010 [1]) e dos relatórios The Reality of Aid, elaborados pelas ONG da OCDE (www.realityofaid.org [2]), assim como alguns resultados da literatura científica recente sobre o processo de desenvolvimento (Chang 2002 e 2003)2 [2], permitem-nos situar alguns dos mais importantes desafios actuais e futuros com os quais a UE se vê confrontada na sua política de cooperação com os países do Sul, em geral, e com os ACP, em particular.

Ajuda

A UE fornece metade da APD (Ajuda Pública ao Desenvolvimento) bi e multilateral da OCDE. Três quartos desta APD da UE são bilaterais e só um quarto é da responsabilidade multilateral da UE. A tendência tem ido no sentido do aumento da parte multilateral, o que é um sinal positivo, na medida em que permite reduzir a sobredeterminação da APD pelos interesses não confessados (comerciais, geo-estratégicos, de política cultural externa, etc.) dos países membros da UE. Esta tendência torna ainda mais importante o debate sobre o rumo da política de cooperação comum da UE.

Senão vejamos:

Comércio

Instead of enhancing Africa’s integration into the world economy, the free trade agreements proposed by the US and EU will likely result in Africa´s further marginalization and the undermining of the already perilous state of regional economic integration in Africa.3 [2]

Nos últimos 30 anos, o relacionamento comercial da UE com os países ACP tem sido baseado no acesso não recíproco dos ACP aos mercados da UE. No entanto, as exportações das ACP para a UE-25 têm estagnado neste período, o que levou à redução da sua parte nas importações totais da UE-25, enquanto as importações provenientes dos "tigres asiáticos" e da China aumentaram substancialmente.

A convenção de Cotonou (2000) veio substituir, ao longo de um período de transição de 2000 a 2008, o regime tarifário não recíproco por regimes compatíveis com as regras da OMC.

Sendo assim, a convenção de Cotonou prevê a celebração, até 2007, de Acordos de Parceria Económica (APE), tendencialmente recíprocos, entre a UE e agrupamentos regionais de países ACP. Estes Acordos poderão incluir o comércio de serviços.

Os desafios desta nova fase são de vária ordem (Gillson e Grimm, www.eadi.org/edc2010 [3]):

Face a estas difíceis e complexas questões técnicas que implicam negociações demoradas, nos próximos anos, entre os 77 países ACP e a UE, não devemos perder de vista algumas questões de fundo e os seus impactos a longo prazo:

  1. European Association of Development Research and Training Institutes, veja-se também o sítio do Overseas Development Institute (ODI).
  2. Chang, Ha-Joon, Kicking Away the Ladder. Development Strategy in Historical Perspective, Anthem Press, Londres, 2002 Chang, Ha-Joon ,(ed.), Rethinking Development Economics, Anthem Press, Londres, 2003.
  3. Margaret C. Lee, The US and EU – Undermining regional economic integration in Africa, News from the Nordic African Institute, nº 3, October 2004, p. 8.
  4. Veja-se o aceso debate em curso sobre o Acordo Geral sobre o Comércio de Serviços – ACGS (GATS em inglês e ACGS em francês), assinado no quadro da OMC em 1994 e actualmente em fase de renegociação.

Fonte:
http://www.sociofonia.org/node/7